sexta-feira, 27 de junho de 2014

O QUE EU VEJO

Muito se ouve falar do Brasil que todo brasileiro gostaria de ter, todavia pouco se discute qual  o formato ideal para se alcançar o que tanto se almeja.
Penso que há um princípio que deveria ser levado em conta para que o nosso país chegue ao menos um nível de vida aceitável a todos. O assistencialismo!
Não, não me refiro ao assistencialismo já criado no Brasil, que no meu modo de pensar, é apenas uma compra de votos velada.
Penso que não há nada que torne o ser humano mais nobre que estender a mão ao próximo. Isso aquece o coração e faz com que nos tornemos empáticos as causas que chicoteiam nosso país.
Isso acontece por que nos acostumamos a ver a desgraça instaurada na porta ao lado da nossa sem que isso nos mova em direção a necessidade de quem clama por um pouco de comida.
Penso que em nosso país há pessoas sérias que poderiam de fato direcionar doações a quem de fato necessita sem tentar tirar proveito de qualquer verba recebida.
E se você pensou nesta hora que "não há em quem confiar por que o brasileiro é corrupto por natureza", eu tenho pena de você, todavia entendo o por que de seu pensamento. somos o país das "Entradas" e "Bandeiras", somos o país das "Monções", nosso país foi colonizado por pessoas que apenas tinham interesse em tirar proveito das riquezas que aqui existem, todavia não há desonestidade em todo mundo.
Eu tenho um seríssimo problema com generalizações. Não acredito que todo político é ladrão, não credito que todo pastor é ladrão, não acredito que padre é pedófilo, não credito que todo jovem é irresponsável, não credito que todo adulto é responsável, não acredito que todo negro sofra preconceito, não credito que todo branco seja racista, assim como não acredito que todo gay é vitima da sociedade em que vive.
Eu acredito veementemente que em nosso país há pessoas que querem fazer mudanças, todavia nossa postura como cidadãos na época de decidir quem nos governará é sempre a mesma. Arrumamos desculpas pra não nos envolver com política propriamente dita, aí aparece um bando de gente revoltada nas redes sociais esbravejando contra o governo, contra a política.
Não sou de fato a favor do que acontece em nosso país hoje, mas você que reclama, está fazendo o que exatamente pra que seu país mude?
Quantas pessoas você ajudou nos últimos 3 meses a sair da miséria? De quantos finais de semana de balada durante um ano inteiro você abre mão para ajudar ao seu próximo ? Quantas vezes antes de uma eleição desde que você começou a votar, você se interessou em ler a respeito dos candidatos que almejam um cargo político? Não precisa responder, deixe que eu respondo por você, nenhuma!
Aí, depois vai um bando de gente pra rua protestar  por um país melhor, não que eu seja contra qualquer tipo de voz popular, mas nestes termos os protestos perdem a força, como perderam no Brasil. Vi revoltados incautos, indo as ruas apenas por que era bonito bancar os "revoltados com o o status quo", outros esbravejando que "O gigante acordou" "Estamos mudando o país", mas isto tudo resultou em que? Aonde chegamos? "não é só pelos 0,20 centavos" dizia nossa juventude, aí eu pergunto, era pelo que?
Eu posso afirmar que a maioria dos jovens que foi pra rua, se tivesse opção, não iria votar no dia das eleições.
Certa vez vi em uma eleição um jovem, com não mais que 20 anos de idade, chegando ao colégio em que votava com um amigo e o diálogo deles foi mais ou menos assim:

- Você sabe em quem vai votar?
- Eu não me importo com política
- Todo mundo se importa com política
-A é? quer ver como não me importo.
Neste momento ele pega um santinho do chão, e pronuncia a seguinte sentença.

- Eu me importo tanto com política que nem sei quem é este cara mas vou votar nele.

Este era meu primeiro ano de votação, eu tinha apenas 16 anos. Havia passado a noite toda preocupado se minhas decisões haviam sido bem fundadas. Quando vi esta cena, percebi que estamos como estamos, por que decidimos como decidimos.
Diante de tudo que aqui mencionei, apenas quero tornar relevante a ideia de que mudança não começa na massa, começa no individual. A coisa principal é fazer da coisa principal a coisa principal.
Não estou pregando socialismo, estou  apenas tentando dizer que, consciência política e decisões em relação ao próximo, poderia tornar o Brasil um país mais justo pra se viver.

Você pode me pedir uma opinião a respeito do que penso ser um assistencialismo de qualidade. Pois bem, e se os brasileiros ao invés de doar dinheiros uns aos outros doassem seu tempo?
Dou um exemplo bem simples:

Pense em um morador de rua. E se este cidadão brasileiro fosse acolhido por uma instituição que ao invés de deixá-lo sair durante o dia pra pedir dinheiro nos sinaleiros, o ensinasse a ser, por exemplo, auxiliar de pedreiro?
E se pra ter sua casa própria  e comida este cidadão tivesse que se dedicar a trabalhar na construção de casas populares 5 dias por semana.
Esta é apenas uma ideia, que não demorei mais que 10 minutos pra ter. E se todo o brasileiro se engajasse na política, que resultado teríamos?

Apenas, penso. Sem querer tornar nada do que disse verdade absoluta!


Por Kleber Silva

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