A realidade do que se vive em nossos dias é deveras assustadora, falta de tempo, correria, ganhar, perder,
encarar o empedernido do chefe, pressão por resultados, contas chegando aos
borbotões, dinheiro escasso, política hostil, perigo eminente de assalto, sono
roubado pela rotina do dia seguinte,
acordar cedo depois de não ter dormido absolutamente nada, administração de
sentimentos, resoluções de conflitos internos, saúde pública em frangalhos,
transporte coletivo desgraçadamente apertado e tantas outras situações que
cercam nossa vida, que eu levaria no mínimo um dia inteiro tentando citá-los.
Diante de tantos problemas que nos cercam não é difícil entender por que há
tanta gente frustrada, depressiva, com tendência suicida. Não é difícil entender
por que há tantas doenças psicossomáticas se manifestando nos últimos anos, e a
máxima da maioria das pessoas que conheço é “Estou cansado de estar cansado”.
Nas minhas elucubrações esta frase, que ouvi mais de cinco vezes só este mês,
me levou a tentar entender por que de fato o ser humano está como está.
Obviamente os fatos todos estão lançados, há centenas de motivos para o ser humano
estar como está, porém me intriga o fato de ainda haver pessoas que não
adoeceram na alma e estes estão inseridos nos mesmos contextos sociais que
todos os adoecidos.
Acredito que os sadios são aqueles que não projetam sua completude em outros,
sadios são aqueles que sonham e continuam sonhando a despeito das
circunstâncias. Sadios são os que mesmo não conquistando sabem que a vida não
acabou, sadios os que não se entregam a estados de alienação humana, sadios os
que entendem que felicidade não é o lugar aonde se chega e sim a forma como se
vai. Sadios são os que mesmo cheios de problemas conseguem cantar, sadios os
que não transformaram o ter em ser. Sadios os que vivem a vida como se o amanhã
não existisse, sadios os que entenderam que o passado não volta. Sadios os que
amam pessoas e usam coisas, sadios os que perceberam o valor da família, sadios
os que não pensam que o mundo gira em torno de seu próprio umbigo.
As pessoas que andam tão cansadas ainda não entenderam que a vida é simples,
que a felicidade recheada de “happy end’s” não existe, que esta tal felicidade
é o maior estado de alienação humana que existe. Pois os islâmicos que a
inventaram nunca conseguiram vive-la. Sim, pois antes dos islâmicos as
histórias eram todas tragédias gregas.
Os seres humanos que vivem tão assoberbados, penso eu, acreditam de fato que
felicidade é não ter problemas, que felicidade é não chorar, que felicidade é
ter o destino conspirando a seu favor o tempo todo e aí é fácil entender por
que estamos como estamos.
Eu acredito veementemente que impossível será ser sadio enquanto o que de fato
for importante não tomar seu devido lugar, e o mais importante é ser.
Por Kleber Silva

Bravo Mestre
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