segunda-feira, 14 de abril de 2014

O ESTUPRADOR E O ASSASSINO

Semana passada recebi um vídeo e acabei compartilhando em minha linha do tempo, o mesmo se tratava de um rapaz sendo arrastado como um animal, amarrado com uma corda em seu pescoço e os homens gritavam “estuprador”, “estuprador”, outros gritavam, “vai morrer”. Tratava-se de um rapaz que acabara de cometer um estupro. O vídeo termina com o rapaz sendo amarrado a um poste e o marido da estuprada golpeando sua cabeça com um enorme pedaço de madeira até o matar, e pra fechar ouve-se uma voz dizendo “Pronto, acabou, ninguém viu nada”.
Há centenas de pessoas que vibraram com o vídeo, comentários exaltando a atitude dos que cometeram tal crime, todavia quero levar você a analisar a situação por um prisma diferente. Antes de tudo quero ressaltar que não estou fazendo apologia a nada, apenas expondo um outro ponto de vista.
O que deveria chamar a atenção nisto tudo não é a culpabilidade do marginal, este se estuprador de fato merecia uma punição, todavia quem outorgou o direito a população civil de fazer justiça com suas próprias mãos?
Vivemos em uma democracia, em um país repleto de leis que com certeza levariam o criminoso a pagar por seus crimes. Não quero entrar no mérito da eficiência da lei, sou brasileiro e sei que o andamento da justiça é de fato moroso, mas se você não aceita o nosso modelo basta tirar um passaporte, atender as leis exigidas por um país de sua escolha e conseguir cidadania aonde você imagina ser o lugar ideal para se viver.
Olhando por um prisma mais filosófico da coisa, eu diria que até mais humanitário, eu devo dizer que não existe diferença alguma entre o estuprador e o assassino, tendo em vista que ambos são criminosos. O que diferencia os dois é que o marido justiceiro a população abraça como um herói de odisseias romanas, o estuprador todos nós execramos, e aí eu pergunto aonde foi parar a nossa humanidade.
Vejam bem, AMBOS são criminosos, se analisarmos os dois pelo mesmo prisma e quisermos fazer justiça com as próprias mãos, ambos merecem morrer. O que torna um aceito e o outro digno de morte é nosso maldito senso de justiça própria e o “politicamente aceitável”.
Para aprofundar um pouco mais a análise, já que o intuito deste blog é fazer você pensar e não lhe dar uma opinião pronta, afinal se assim eu fizesse eu estaria criando quase que uma religião e este  de fato não é meu intuito, quero apenas fazer com que você use os “dentes do seu cérebro”, você já parou pra pensar se no mundo em que você vive tudo de errado fosse alvo de justiça com as próprias mãos. Já pensou você com uma corda amarrada no pescoço e os seus “juízes” gritando “Sonegador de impostos”, “Mentiroso”, “Traidor”, “Este bebeu e dirigiu”, “Este matou hora no trabalho”, “Este colou nas provas” e etc, etc, etc.
Não venha me dizer que você é um modelo de cidadão ou de pessoa, a natureza humana é má. O que torna possível a nossa convivência são fatores como, regime político, educação, leis, religião, fé. Se não fossem estes elementos aliados a outros que demorariam muito pra ser citados, a raça humana já estaria extinta. Não seja hipócrita, você não é um exemplo de ser humano, você não é bonzinho, sua natureza é má.
No que se refere ao ato do rapaz, eu diria deplorável, inaceitável, porém não existe no Brasil de acordo com o que conheço a pena de morte. Você que apoia o crime que foi cometido contra este rapaz, peço por gentileza que antes de emitir qualquer opinião, olhe pra você e responda se você é um exemplo de cidadão. Posso ser taxado extremista. Já pensei em todos os argumentos que podem ser dados a respeito deste caso, porém me mantenho com a opinião de que a humanidade se perdeu de si mesma. Como cheguei a esta conclusão?
Basta você olhar pra dentro de si e responder o que de fato você faria se o estupro tivesse acontecido em sua casa. Baseado na minha reposta, eu sei o que a maioria de vocês desejaria a este rapaz.

Abraço a todos,

Por Kleber Silva

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