Semana passada recebi um vídeo e acabei compartilhando em minha linha do tempo,
o mesmo se tratava de um rapaz sendo arrastado como um animal, amarrado com uma
corda em seu pescoço e os homens gritavam “estuprador”, “estuprador”, outros
gritavam, “vai morrer”. Tratava-se de um rapaz que acabara de cometer um
estupro. O vídeo termina com o rapaz sendo amarrado a um poste e o marido da
estuprada golpeando sua cabeça com um enorme pedaço de madeira até o matar, e
pra fechar ouve-se uma voz dizendo “Pronto, acabou, ninguém viu nada”.
Há centenas de pessoas que vibraram com o vídeo, comentários exaltando a
atitude dos que cometeram tal crime, todavia quero levar você a analisar a
situação por um prisma diferente. Antes de tudo quero ressaltar que não estou
fazendo apologia a nada, apenas expondo um outro ponto de vista.
O que deveria chamar a atenção nisto tudo não é a culpabilidade do marginal,
este se estuprador de fato merecia uma punição, todavia quem outorgou o direito
a população civil de fazer justiça com suas próprias mãos?
Vivemos em uma democracia, em um país repleto de leis que com certeza levariam
o criminoso a pagar por seus crimes. Não quero entrar no mérito da eficiência
da lei, sou brasileiro e sei que o andamento da justiça é de fato moroso, mas
se você não aceita o nosso modelo basta tirar um passaporte, atender as leis
exigidas por um país de sua escolha e conseguir cidadania aonde você imagina
ser o lugar ideal para se viver.
Olhando por um prisma mais filosófico da coisa, eu diria que até mais
humanitário, eu devo dizer que não existe diferença alguma entre o estuprador e
o assassino, tendo em vista que ambos são criminosos. O que diferencia os dois
é que o marido justiceiro a população abraça como um herói de odisseias
romanas, o estuprador todos nós execramos, e aí eu pergunto aonde foi parar a
nossa humanidade.
Vejam bem, AMBOS são criminosos, se analisarmos os dois pelo mesmo prisma e
quisermos fazer justiça com as próprias mãos, ambos merecem morrer. O que torna
um aceito e o outro digno de morte é nosso maldito senso de justiça própria e o
“politicamente aceitável”.
Para aprofundar um pouco mais a análise, já que o intuito deste blog é fazer você
pensar e não lhe dar uma opinião pronta, afinal se assim eu fizesse eu estaria
criando quase que uma religião e este de
fato não é meu intuito, quero apenas fazer com que você use os “dentes do seu
cérebro”, você já parou pra pensar se no mundo em que você vive tudo de errado
fosse alvo de justiça com as próprias mãos. Já pensou você com uma corda
amarrada no pescoço e os seus “juízes” gritando “Sonegador de impostos”, “Mentiroso”,
“Traidor”, “Este bebeu e dirigiu”, “Este matou hora no trabalho”, “Este colou
nas provas” e etc, etc, etc.
Não venha me dizer que você é um modelo de cidadão ou de pessoa, a natureza
humana é má. O que torna possível a nossa convivência são fatores como, regime
político, educação, leis, religião, fé. Se não fossem estes elementos aliados a
outros que demorariam muito pra ser citados, a raça humana já estaria extinta.
Não seja hipócrita, você não é um exemplo de ser humano, você não é bonzinho,
sua natureza é má.
No que se refere ao ato do rapaz, eu diria deplorável, inaceitável, porém não
existe no Brasil de acordo com o que conheço a pena de morte. Você que apoia o
crime que foi cometido contra este rapaz, peço por gentileza que antes de
emitir qualquer opinião, olhe pra você e responda se você é um exemplo de
cidadão. Posso ser taxado extremista. Já pensei em todos os argumentos que
podem ser dados a respeito deste caso, porém me mantenho com a opinião de que a
humanidade se perdeu de si mesma. Como cheguei a esta conclusão?
Basta você olhar pra dentro de si e responder o que de fato você faria se o
estupro tivesse acontecido em sua casa. Baseado na minha reposta, eu sei o que
a maioria de vocês desejaria a este rapaz.
Abraço a todos,
Por Kleber Silva

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